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Insights · Guia de estudos

Panorama de atualidades 2026

Guia de estudos em cinco eixos

Guia · 22 min de leitura · outubro de 2026 · Português

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Como usar este guia

Bancas de concursos e da OAB cobram cada vez mais a capacidade de ler o noticiário com olhos jurídicos. Este guia reúne os assuntos de maior incidência em 2026, organizados em cinco eixos, e para cada um oferece três camadas: o fato, o contexto e o ponto jurídico que costuma cair em prova.

As informações refletem o estado dos temas em outubro de 2026. Em assuntos de conflito armado e política, os fatos mudam rapidamente — confira sempre a data da fonte antes de usá-la em uma redação ou peça.

Eixo 1 — Geopolítica e conflitos

Israel, Estados Unidos e Irã. Em 28 de fevereiro de 2026, Estados Unidos e Israel lançaram ataques coordenados contra o Irã. O líder supremo Ali Khamenei morreu nos primeiros bombardeios, e o Irã retaliou contra Israel e bases americanas no Golfo, além de fechar o Estreito de Ormuz — rota de cerca de 20% do petróleo mundial. Um cessar-fogo mediado pelo Paquistão em 7 de abril chegou a ser prorrogado, mas ruiu no início de julho. Desde então, o conflito alterna ataques e pausas diplomáticas, com Ormuz sob controle iraniano. Israel tem eleições marcadas para 27 de outubro.

Rússia e Ucrânia. A guerra completou quatro anos em fevereiro de 2026. Rodadas de negociação mediadas pelos EUA em Genebra terminaram sem avanço, e o único resultado concreto foi um cessar-fogo de três dias em maio, por ocasião do Dia da Vitória russo. A linha de frente tem cerca de 1.250 km.

Coreia do Norte. O regime realizou ao menos oito testes de mísseis até maio de 2026 e, em 3 de outubro, lançou um míssil de alcance intermediário que percorreu mais de 700 km. Kim Jong-un declarou "irreversível" o status nuclear do país, que também forneceu armas e tropas à Rússia.

Turquia, Síria e a questão curda. Após a queda de Bashar al-Assad, o governo de transição de Ahmed al-Sharaa e as Forças Democráticas Sírias (SDF), lideradas por curdos, firmaram em janeiro de 2026 um cessar-fogo e um acordo de integração das estruturas militares e civis ao Estado sírio. A Turquia, que vê nas SDF uma extensão do PKK, apoiou o acordo no contexto de seu próprio processo de desarmamento do grupo.

Integração militar nórdica. Finlândia (2023) e Suécia (2024) entraram na OTAN, encerrando décadas de neutralidade. Hoje todos os países nórdicos da aliança estão sob o mesmo comando aliado, em Norfolk (EUA), e forças terrestres da OTAN passaram a operar na Finlândia e na Suécia, no flanco nordeste.

Para a prova: relacione estes conflitos ao art. 4º da Constituição, que orienta as relações internacionais do Brasil pela não intervenção, pela defesa da paz e pela solução pacífica dos conflitos.

Eixo 2 — Política e instituições

Estados Unidos: Trump e a Justiça. Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte americana decidiu, por 6 votos a 3, em voto do presidente da Corte, John Roberts, que as tarifas globais impostas com base na lei de poderes econômicos de emergência (IEEPA, de 1977) excederam a autoridade presidencial: a Constituição atribui ao Congresso o poder de tributar. O governo respondeu com uma tarifa global temporária, depois elevada de 10% para 15%, com base em outra lei que limita a medida a 150 dias. Empresas e estados passaram a buscar reembolso dos valores pagos.

França: eleições presidenciais de 2027. O primeiro turno está previsto para abril de 2027, com Emmanuel Macron impedido de concorrer a um terceiro mandato consecutivo. Pesquisas de 2026 apontam a liderança do Reagrupamento Nacional — com Marine Le Pen, cuja elegibilidade depende do desfecho de recurso contra condenação por desvio de recursos, ou Jordan Bardella como alternativa. Disputam o espaço restante nomes como Édouard Philippe, Gabriel Attal e Jean-Luc Mélenchon, este já declarado candidato.

Contas públicas: o arcabouço fiscal. A Lei Complementar 200/2023 substituiu o teto de gastos por um regime que limita o crescimento da despesa a uma fração do crescimento da receita e fixa metas de resultado primário com bandas de tolerância. O desafio recorrente é conciliar o limite com despesas obrigatórias que crescem acima dele.

Imposto de Renda: isenção até R$ 5 mil. A Lei 15.270/2025, em vigor desde 1º de janeiro de 2026, isentou do IRPF quem recebe até R$ 5.000 mensais e criou redução decrescente até R$ 7.350. Para compensar, instituiu imposto mínimo para rendas anuais acima de R$ 600 mil e retenção de 10% sobre lucros e dividendos acima de R$ 50 mil mensais pagos por uma mesma empresa.

STF: licença-maternidade unificada. Em 23 de setembro de 2026, no julgamento da ADI 7.495, o STF decidiu por unanimidade que mães biológicas e adotantes têm os mesmos critérios e prazos de licença — 120 dias, prorrogáveis por 60 —, independentemente de serem celetistas, servidoras federais ou militares. A Corte vedou a redução do prazo conforme a idade da criança adotada, aplicou a decisão às licenças em curso e deixou ao Legislativo a eventual licença compartilhada.

Sistema prisional: restrição às saidinhas. A Lei 14.843/2024 alterou a Lei de Execução Penal e restringiu a saída temporária — mantida, em regra, apenas para estudo — e vedou o benefício a condenados por crimes hediondos ou com violência ou grave ameaça. O STF analisa tanto a constitucionalidade da lei (ADI 7.663) quanto, em repercussão geral, se ela alcança quem cumpria pena por crime anterior à sua vigência.

Eixo 3 — Economia e relações internacionais

BRICS e desdolarização. A cúpula de 2026 ocorreu em Nova Déli, em 12 e 13 de setembro, sob presidência indiana. O bloco deixou de lado a ideia de moeda única — rejeitada publicamente pela Índia e negada pelo governo brasileiro — e concentrou-se em infraestrutura de pagamentos em moedas locais, como o BRICS Pay. Ministros do bloco também criticaram tarifas unilaterais por inconsistência com as regras da OMC. O dólar segue dominante nas reservas mundiais, mas o comércio em moedas locais cresce.

Opep+ e a produção de petróleo. Depois de anos de cortes, a Opep+ vem revertendo reduções voluntárias desde 2025. Em agosto de 2026, sete países aprovaram alta de 188 mil barris por dia a partir de setembro; em 6 de setembro, decidiram manter os mesmos níveis para outubro — 10,478 milhões de barris diários para a Arábia Saudita e 9,949 milhões para a Rússia. O grupo manifestou preocupação com ataques à infraestrutura de energia, em meio à guerra no Golfo e ao bloqueio de Ormuz.

Brasil–China. A China é o maior parceiro comercial brasileiro. A corrente de comércio bateu recorde de US$ 171 bilhões em 2025 e, de janeiro a setembro de 2026, já somava US$ 143 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 26,1 bilhões. O petróleo se tornou protagonista: no primeiro semestre, as exportações do produto para a China cresceram 62%, para US$ 15,1 bilhões, reflexo da busca chinesa por fornecedores fora do Golfo. A soja segue como principal item, e a carne bovina esbarrou em cota de salvaguarda imposta por Pequim.

Argentina: crise energética. O governo argentino prorrogou por decreto, em 2026, a emergência do setor energético. No inverno, a escassez de gás levou a cortes programados para indústrias, postos de GNC e termelétricas, e à compra emergencial de carga de gás junto à Petrobras. Atrasos em obras de reversão de gasodutos e a falta de capacidade firme no verão completam o quadro.

Banco Mundial: indicadores. Em janeiro, o Banco Mundial projetou crescimento global de 2,6% e de 2,0% para o Brasil em 2026. Com a guerra no Oriente Médio e o choque do petróleo, as estimativas foram revistas para baixo ao longo do ano: o relatório regional de abril chegou a 1,6% para o Brasil, e a revisão global de junho apontou 1,9% para o país e 2,5% para o mundo. A Guiana, impulsionada pelo petróleo, é o destaque regional.

Eixo 4 — Ciência, saúde, sociedade e cultura

Saúde pública: mpox. Depois de 1.079 casos e duas mortes em 2025, a mpox voltou a crescer no Brasil no início de 2026: em março, eram 140 casos confirmados e 539 suspeitos, com São Paulo concentrando a maioria. A maioria dos quadros é leve ou moderada. No plano global, a OMS havia declarado emergência internacional em agosto de 2024, em razão da variante 1b na África, e a vigilância de novas variantes continua.

Procedimentos estéticos: o uso do fenol. Em junho de 2024, após a morte de um jovem de 27 anos em São Paulo depois de um peeling de fenol, a Anvisa proibiu cautelarmente a importação, fabricação, manipulação, comercialização, propaganda e uso de produtos à base de fenol em procedimentos de saúde e estéticos, e prorrogou a medida enquanto conduz a avaliação técnica. Em 2026, o Conselho Federal de Medicina regulamentou o procedimento como ato médico, mas a restrição sanitária sobre os produtos se manteve — uma tensão entre regulação profissional e regulação sanitária.

Tecnologia espacial: o satélite Amazônia-1. Lançado em 28 de fevereiro de 2021 da Índia, o Amazônia-1 é o primeiro satélite de observação da Terra inteiramente projetado, integrado, testado e operado pelo Brasil, pelo INPE. Gera imagens de qualquer ponto a cada cinco dias e apoia o monitoramento do desmatamento. Sua vida útil projetada era de quatro anos, e o sucessor, Amazônia-1B, tem lançamento previsto para 2027.

Meio ambiente: a Cúpula do Clima. Depois da COP30, em Belém (2025), a COP31 ocorre em Antália, na Turquia, de 9 a 20 de novembro de 2026, num arranjo inédito negociado com a Austrália após longa disputa pela sede. Na pauta estão as novas metas nacionais de redução de emissões (NDCs), a meta global de adaptação, a transição justa e os roteiros de transição para longe dos combustíveis fósseis e de fim do desmatamento lançados em Belém. A COP32 será em Adis Abeba, na Etiópia, em 2027.

Geologia: terremotos na Amazônia. O Brasil está no interior da placa Sul-Americana, mas o oeste amazônico registra abalos profundos ligados à subducção andina. O maior tremor instrumental da história do país — magnitude 6,6 — ocorreu em janeiro de 2024 em Ipixuna (AM), a mais de 600 km de profundidade, sem danos. Estudos históricos apontam um terremoto de magnitude estimada em 7 perto de onde hoje é Manaus, em 1690.

Arte e cultura: Picasso recuperado. Em junho de 2026, a polícia francesa encontrou, durante uma operação antidrogas na região de Paris, um retrato de Marie-Thérèse Walter pintado por Picasso e avaliado entre 12 e 15 milhões de euros. A obra havia sido furtada de um depósito de arte por um segurança de 37 anos, que alegou querer expor falhas de segurança da empresa.

Quadro-resumo para revisão

TemaFato-chave de 2026Fundamento para a prova
Israel–EUA–IrãGuerra desde 28/02; Ormuz fechadoCarta da ONU, arts. 2º, § 4º, e 51
Rússia–UcrâniaQuatro anos de guerra; negociações sem acordoEstatuto de Roma; mandado do TPI
Coreia do NorteMíssil de alcance intermediário em 03/10Resoluções do CSNU; TNP
Síria e curdosAcordo de integração das SDF (jan.)Autodeterminação × integridade territorial
Nórdicos na OTANComando unificado; forças na Finlândia e SuéciaArt. 5º do Tratado do Atlântico Norte
Trump e a JustiçaSuprema Corte derruba tarifas da IEEPA (6 × 3)Legalidade tributária; separação de Poderes
França 2027RN lidera pesquisasInelegibilidade por condenação
Arcabouço fiscalLC 200/2023 em vigorLRF; art. 113 do ADCT
Imposto de RendaIsenção até R$ 5 mil; imposto mínimoLei 15.270/2025; progressividade
Licença-maternidadeADI 7.495: 120 + 60 dias para todasArt. 227; isonomia
SaidinhasLei 14.843/2024 em análise no STFIrretroatividade da lei penal mais gravosa
BRICSCúpula de Nova Déli; BRICS PayMarco cambial (Lei 14.286/2021)
Opep+Reversão gradual de cortesDeclaração de Cooperação (soft law)
Brasil–ChinaCorrente de US$ 143 bi até setembroSalvaguardas na OMC
ArgentinaEmergência energética prorrogadaIntegração energética regional
Banco MundialBrasil entre 1,6% e 1,9% em 2026Instituições de Bretton Woods
Mpox140 casos até marçoRegulamento Sanitário Internacional
FenolRestrição da Anvisa mantidaPoder de polícia sanitária; CDC, art. 14
Amazônia-1Sucessor previsto para 2027Tratado do Espaço Exterior
COP31Antália, 9 a 20/11Acordo de Paris; art. 225
TerremotosRecorde de 6,6 em 2024Lei 12.608/2012
PicassoRetrato recuperado em junhoConvenção da UNESCO de 1970

Leitura crítica

O ano de 2026 expôs, ao mesmo tempo, a fragilidade das regras internacionais sobre uso da força e a vitalidade do controle judicial sobre o poder político. No plano externo, conflitos armados prolongados mostram os limites do sistema de segurança coletiva da ONU. No plano interno de várias democracias — nos Estados Unidos, com as tarifas; no Brasil, com a licença-maternidade e as saidinhas —, tribunais constitucionais seguem sendo o espaço onde grandes escolhas políticas são testadas contra a Constituição.

Para quem estuda, a lição é que atualidades não são um conteúdo à parte: são o campo de aplicação dos princípios que caem em prova. Para quem empreende ou administra patrimônio, os mesmos fatos — preço do petróleo, tributação de dividendos, comércio com a China — chegam rapidamente ao caixa e ao planejamento.

Este guia tem caráter exclusivamente informativo. O Andrade & Cintra Advogados publica periodicamente análises de temas atuais na seção Insights.

Fontes